02.01.10

 

e naquele prédio os nossos amigos andam com os olhos nos céus. até durante o dia pois o Natal passou e ainda não viram estrela que os chamasse. a curiosidade e alguma ansiedade possuem-nos e não despegam os olhos dos céus. à vista desarmada, de binóculos, nas varandas, nas ruas, espreitando por entre as nuvens que o têm encoberto...as suas vidas estão organizadas em função do trabalho e tarefas de cada um e o tempo livre é um inimaginável fixar os céus em busca da anunciada estrela porque estrela e aviso feito por Anjo não se pode descuidar. receiam perdê-la na sua humana desatenção.

ilustrado por Conceição às 12:53

03.12.09

os cinco desabam – literalmente -  não há outra forma de o descrever, nos sofás, poltronas e cadeiras mais à mão dos corpos.um silêncio persistente, após o som do bater das asas do Anjo desaparecer, enche a sala. Zeca é o primeiro a retomar a fala. sem falar para ninguém, como quem expressa pensamentos em voz alta: mas isto é um déjà vu, ou melhor um déjà acontecido, lido, contado ao longo de séculos. não foi a mensagem entregue aos três Reis Magos? o Natal está aí não tarda... mas nós somos cinco pessoas vulgares. cinco cidadãos vulgares. eu nem sou religioso, o amigo Antero já me disse ser ateu...ná, algo não bate certo...ia ele neste solilóquio quando estalou um riso histérico. todos se voltaram para Josefa que ria incontrolável num acesso de histeria. ignoraram-na e foi como se aquele descontrolo emocional tivesse destravado a língua a cada um. começaram todos a falar ao mesmo tempo. parecia a torre de Babel, pois apesar de falarem a mesma língua era tal a velocidade das falas, a torrente de palavras sobrepostas, que nada entendiam uns dos outros. Zeca repetiu, sobrepondo-se e fazendo que todos se calassem excepto Josefa que continuava a gargalhar e a soluçar em simultâneo, só pode ter a ver com o Natal. vamos elaborar uma escala de observação do céu. de nós todos o meu andar é o mais alto e tenho boa visibilidade dos céus. será de lá que faremos a observação, se concordarem para não metermos mais ninguém neste assunto senão ainda nos consideram loucos. calou-se olhando Josefa que estava cada vez pior. todos calados seguiram o seu olhar. Maria Rita, sem dizer uma palavra, levantou-se, chegou-se a Josefa e deu-lhe duas estaladas. esta emitiu um grande soluço, pestanejou e olhou-os, como quem acorda.

sinto-me: estrelada
ilustrado por Conceição às 12:34

texto a partir da imagem...
as autoras
arquivos
2010:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2009:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


Março 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
11
12
13

14
15
16
17
18
19

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


RSS
eXTReMe Tracker