08.11.09

cada vez que Amélia chama o seu Léu-léu Mariana arrepia-se toda. parece nome de cachorro, pensa irritada! e torna-se ainda mais desesperante quando Eleutério responde à sua amada com um carinhoso: Mé-mé. Mariana escandaliza-se com estas infantilidades na boca de dois sexagenários. e ainda mais por haver uma mulher a acarinhar o seu Té-té. o seu grande amor. o chá amarga-lhe, enquanto engole as lágrimas. incapaz de suportar este purgatório por muito mais tempo, desculpa-se com a folga da filha para voltar à protecção das suas rotinas. Josefa está tão feliz que nem se apercebe de mais nada. e Mariana regressa a casa com um grito surdo na garganta. entra directa para o quarto, para chorar de raiva, em silêncio, enquanto uma tristeza antiga a cobre como um manto. Antero conhece os humores da mulher e começa a adiantar o jantar enquanto a ouve soluçar em surdina. Maria Rita inquieta-se com o desespero da mãe, mas ambos sabem o quanto é orgulhosa e pouco dada a revelações. é óbvio que aconteceu alguma coisa muito séria em casa da D. Josefa. entretanto, Zeca prepara-se para passear o cão Bernardo. quase sem pensar, toca à campaínha dos vizinhos para convidar Maria Rita. e o dia volta a sorrir.

ilustrado por Ana às 10:31

texto a partir da imagem...
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