03.03.10

deitei-me, como me deito há mais de sessenta anos. na minha cama, no quarto que conheço, no aconchego dos lençóis gelados que amornam rápido com o calor do corpo e logo logo toda a cama um borralho e o sono a fechar-me os olhos que fitam o quarto na penumbra permitida pela luz da iluminação da rua. acordei. os olhos ainda fechados.  estiquei todo o corpo distendendo os músculos. aos poucos entreabri os olhos. uma luminosidade intensa e dourada rodeava-me como se o sol nascesse dentro do quarto. abri-os plenamente, surpresa, para um mundo dourado cheio de flores e abelhas numa azáfama louca. sentei-me na cama – pensei eu – e dei por mim suspensa. nem cama nem paredes. nem quarto. nada. todo o mundo que avistava não azul mas dourado e florido cheio por uma música de zunidos feita. pus os pés no chão e até o chão só relva e pequenas flores parecidas com bocas de lobo. terra não se avistava. flores e mais flores. arbustos, árvores, relva e ervas, tudo florido. tudo dourado. sonho pensei. dei por mim a flutuar de flor em flor enquanto emitia um zunido que se juntava harmoniosamente  à orquesta que se fazia ouvir.

sinto-me:
ilustrado por Ana às 19:28
escrito por Conceição em 10/03/2010 às 19:26

texto a partir da imagem...
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